Como a Mente Funciona - Livro


Autor: Steven Pinker
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 666
Publicação original: 1997
Gênero: Psicologia

Sinopse: Como funciona a mente humana? Utilizando conceitos como a teoria da evolução, o psicólogo e cientista cognitivo Steven Pinker convida o leitor a um passeio por diversas áreas do conhecimento humano, sem nunca perder de vista seu objetivo: sugerir e por vezes até explicar nossa capacidade de amar, manter - ou não - relações sociais, criar, julgar ou mesmo ver figura em 3D, assistir televisão e se emocionar com a música. "A psicologia será baseada em novos fundamentos", previu Charles Darwin ao final de A origem das espécies. Em Como a Mente Funciona, Pinker dá mais um passo nesse sentido - sem medo de causar polêmica. A partir de elementos da ciência cognitiva. o autor formula um modelo matemático suficiente para explicar o funcionamento da mente humana. Feito isso, envereda pela teoria evolucionista para tornar plausível esse modelo, agora em termos biológicos: seria a mente humana um sistema de órgãos computacionais desenhados pela seleção natural a fim de solucionar os problemas enfrentados por nossos antepassados em tempos remotos? O projeto não poderia ser mais ambicioso, além de lucidamente argumentado, em estilo cativante e acessível. Pinker se arma não apenas de modelos experimentais e teóricos, mas ainda exemplos do cotidiano para fornecer uma visão atual revolucionária do funcionamento da mente humana.

Classificação: Bom (Ruim, Regular, Bom, Ótimo)

Resenha: É forte a crença de que um dia os robôs serão como os humanos, há décadas este tema é utilizado pelos filmes e literatura. As primeiras páginas deste livro aborda a complexidade da mente humana e as impossibilidades atuais, e também muito provavelmente futuras, de construir uma máquina que pense e tenha suas definições cognitivas similares aos dos homens. De forma clara e muito objetiva o leitor é levado às diversas formas do funcionamento de cores, como os inputs (entrada)  e oupts (saída) através dos olhos com as interpretações e armazenamentos de conceitos que nos faz entender o que está sendo visto. Se tratando de um robô, até mesmo o simples conceito de solteiro seria complexo e necessitaria de diversos circuitos interligados para que a definição seja coerente dentro de um determinado conceito: 

"Um solteiro, está claro, é simplesmente um homem adulto que nunca se casou. Agora imagine que uma amiga pediu-lhe para convidar alguns solteiros para a festa que ela vai dar. O que aconteceria se você usasse essa definição para decidir qual das pessoas a seguir irá convidar?

  • Arthur vive feliz com Alice há cinco anos. Eles têm uma filha de dois anos e nunca se casaram oficialmente.
  • Bruce estava prestes a ser convocado pelo Exército, por isso casou com sua amiga Barbara para conseguir a dispensa. Os dois nunca viveram juntos. Ele já teve namoradas e tenciona obter a anulação do casamento assim que encontrar alguém com quem deseje casar.
  • Charlie tem dezessete anos. Mora na casa dos pais e está no curso secundário.
  • David tem dezessete anos. Saiu de casa aos treze, começou um pequeno negócio e homem em dia é um bem-sucedido jovem empresário que leva a vida de um playboy em seu apartamento de cobertura.
  • Eli e Edgar formam um casal homossexual e vivem juntos há vários anos.
  • Faisal está autorizado pela lei de sua terra natal, Abu Dhabi, a ter três esposas. Atualmente tem duas e está interessado em conhecer outra noiva em potencial.
  • Padre Gregory é bispo da catedral católica em Groton upon Thames.

Saber quem é solteiro é apenas  uma questão de bom senso, mas não há nada de banal no bom senso. De algum modo ele tem que encontrar seus caminhos em um cérebro de robô ou humano." 

Nos capítulos posteriores, é iniciada uma verdadeira jornada que procura explicar o início da vida no planeta terrestre, com a classificação dos animais e a evolução dos organismos mais simples até o homem atual. Cada parte importante do nosso corpo - os olhos, as pernas e curvatura etérea - são explicados minuciosamente a partir das teorias de Darwin. Em algumas páginas a leitura fica chata por não apresentar uma adaptação coerente com a língua portuguesa. O contexto se perde e se utiliza muitos conceitos raros de nossa língua, de forma que é necessário manter o dicionário ao lado. A imposição direta e maçante de Pinker em renegar e empregar sentido cômico quanto à crença de que Deus criou o Universo e os demais seres vivente, incomoda bastante. Constantemente o autor rebate esse tema, não mantendo-se impessoal. 

"Como a religião ajusta-se a uma mente que se poderia pensar ter sido projetada para rejeitar o que é palpavelmente inverídico? A resposta comum - que as pessoas confrontam-se com a ideia de um pastor benevolente, um plano universal ou uma vida após a morte - é insatisfatória, pois apenas levanta a questão de por que uma mente evoluiria para confortar-se com crenças que pode claramente ver que são falsas."

É interessante quando o livro levanta a questão da evolução em termos emocionais, explicando que em todos os países, mesmo com elevado grau de diversidade cultural, as emoções felicidade, tristeza, raiva, medo, repugnância e surpresa são unanimemente  universais.

Ao comparar situações que remetem as necessidades de constantes adaptações da mente desde os tempos análogos aos homo sapiens com os temas atuais são bem interessantes. Isto faz entender como o cérebro atual passou por incontáveis melhoramentos:

"Como uma ameaça onerosa anda em via de mão dupla, ela pode levar a um ciclo de auto-incapacitação. Manifestantes tentam impedir a construção de uma usina de energia nuclear deitando-se sobre os trilhos da ferrovia que conduz ao local. O maquinista, sendo um homem sensato, não tem escolha além de parar o trem. A companhia ferroviária contra-ataca mandando o maquinista ajustar a válvula reguladora de velocidade do trem para que este se mova muito devagar e em seguida pular do trem e andar ao lado dele. Os manifestantes têm que bater em retirada. Na vez seguinte, os manifestantes prendem-se aos trilhos com algemas; o maquinista não ousa sair do trem. Mas o manifestantes precisam ter certeza de que o maquinista os vê a tempo de parar. a companhia designa para o próximo trem um maquinista míope."

Da metade até o final do livro, a relação comum das pessoas em todas as culturas do planeta são explicadas de forma muito coerente e interessante. Pinker pincela com objetividade e simplicidade o relacionamento entre o homem e a mulher. Utiliza-se para isso, um pano de fundo das primeiras civilizações, onde o homem tinha a necessidade de multiplicar seus genes em diferentes mulheres, resultando na evolução dos testículos identificada através do aumento do tamanho deste órgão sexual e no desejo natural de ter relações sexuais com diferentes mulheres ao mesmo tempo ao longo de sua vida. Também levanta uma reflexão na forma de como homens e mulheres se comportam diante de uma investida sexual do sexo oposto:

"Os homens são mesmo vigaristas ou estão apenas tentando aparentar vigarice? Talvez em questionários os homens tentem pintar-se mais garanhões do que são e as mulheres não queiram parecer fáceis. Os psicólogos R.DClark e Elaine Hatfield contrataram homens e mulheres atraentes para abordarem estranhos do sexo oposto em um campus universitário e dizer-lhes: - 'Tenho notado você aqui no campus. Acho você muito atraente.' E em seguida fazer três perguntas: (a) 'Gostaria de sair comigo esta noite?', (b) 'Gostaria de ir ao meu apartamento esta noite?' e (c) 'Gostaria de ir para cama comigo esta noite?'. Metade das mulheres consentiu em sair à noite. Metade dos homens consentiu sair à noite. Seis por cento das mulheres concordaram em ir ao apartamento do auxiliar de pesquisa. Sessenta e nove por cento dos homens concordaram em ir ao apartamento da auxiliar de pesquisa. Nenhuma das mulheres consentiu em ter relação sexual. Setenta e cinco por cento dos homens consentiram em ter relações sexuais. Dos vinte e cinco restantes, muitos se desculparam, pedindo uma nova oportunidade ou explicando que não podiam porque sua noiva estava na cidade. Os resultados repetiram-se em diversos estados. Quando esses estudos foram conduzidos, a contracepção era amplamente disponível e havia grande divulgação das práticas de sexo seguro, portanto os resultados não podem ser descartados simplesmente porque as mulheres talvez estivessem sendo mais cautelosas com a possibilidade de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis."

Com esse embasamento, o autor foca no sentido das relações poligâmicas e monogâmicas em diferentes países. Utilizando-se de outros argumentos, é explicada como os relacionamentos interpessoais e as expressões faciais e corporais foram sendo incorporadas na humanidade de forma a provocar uma corrida evolucionista para criarmos impressões ou mesmo ludibriar quem poderia ser sinônimo de ameaça:

"Qual é o valor, para a sobrevivência, da contração involuntária e simultânea de quinze músculos faciais associada a certos ruídos frequentemente irreprimíveis? O riso é um reflexo, porém único porque não serve a nenhum propósito biológico manifesto: poderíamos chamá-lo um reflexo de luxo. Sua única função utilitária, pelo que se pode perceber, é proporcionar alívio temporário para as pressões utilitaristas. Na esfera evolucionista onde o riso emerge, um quê de frivolidade parece invadir sorrateiramente um universo sem humor governado pelas leis da termodinâmica e pela sobrevivência dos mais aptos."

Na parte final do livro, Kinder se perde de modo mais acentuado. Da metade do livro em diante, muitas exposições levantadas demonstram-se sem consistência com a proposta principal, porém consegue retornar a esta em diversos trechos. Porém no final, faltou um fechamento mais condizente com o que foi abordado desde o início. Fica uma impressão que são diferentes livros, de temas similares, unidos entre si com algumas pinceladas de assuntos em comum, porém com focos diversificados. Apesar da sinopse citar que o livro é "em estilo cativante e acessível", a cada página tem uma palavra de alta complexidade, seja por termos científicos ou da norma culta portuguesa. Notei que quando as palavras estão na norma culta, na grande maioria das vezes foge do contexto, talvez por algum descuido na adaptação do inglês para o português. Apesar disso, é um livro bom. É audacioso por abordar um tema diferente e de alta complexidade, a mente, e levantas características do cotidiano para explicar suas teorias evolucionistas.

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