Comprar e Ser Feliz


Os produtos industrializados passaram por diversas transformações ao longo das Revoluções Industriais e cada uma delas criaram e modificaram hábitos no consumidor. Há algumas décadas os produtos eram reconhecidos pela resistência e durabilidade, podemos destacar os móveis, geladeiras, aparelhos de televisão, automóveis etc. Na primeira fase de venda desses produtos, ou seja, quando ocorreu a primeira grande comercialização desses produtos e os meios de publicidade, o objetivo era que o comprador comprasse algo que ele não tinha; muitas mulheres não tinham ferro elétrico e muitos homens não tinham automóveis, por exemplo. Assim, a indústria queria disponibilizar algo durável, então as pessoas que compravam o primeiro carro o tinham para a vida toda,  e o televisor e geladeira eram produzidos para terem uma grande vida útil. Conforme o processo de industrialização foi abrangendo as famílias e vendendo os seus produtos, percebeu que para ter lucros, o comprador não poderia ter um único guarda--roupa ou uma única cama e muitos menos um aparelho de televisão, e para que as pessoas pudessem comprar,  o intervalo de troca deveria ser diminuído, desta forma a qualidade de todos os produtos não duráveis (o que se tem uma casa) foi se perdendo ao longo do tempo. 

Todos os dias, diante dos comerciais da tv ou mesmo na internet, somos atingidos por infinitos comerciais onde são expostos o mais novo produto, aquele que ainda está começando a ser vendido, com uma opção a mais que o mesmo produto anterior não tinha, e o público passa a desejá-lo. Ao comprá-lo, em um curto período de tempo ele já está apresentando defeitos e é considerado ultrapassado. A rapidez com que a indústria se renova é muito útil para uma sociedade, pois assim é possível ter acesso às últimas tecnologias. Porém toda essa rotatividade criou indivíduos com necessidades e vícios de comprar coisas que ele mesmo não precisa naquele momento, ou seja, ele compra para sentir em poder de algo novo, uma novidade. Este desejo compulsivo desequilibra financeiramente as famílias. 

Mesmo difícil de resistir à publicidade elaborada, temos que entender o que significa comprar e ter em mente que esse ato vai muito mais além de um comportamento rotineiro. Quando precisamos de uma coisa, temos que identificar quais são essas necessidades, o que me leva a tê-las e como eu poderia supri-las. Por exemplo: Preciso de uma impressora para imprimir materiais de estudo, uma impressora resolveria essa necessidade. Vou a uma loja que vende impressoras e lá encontro uma série delas, sendo que os últimos modelos vêm com scanner e fax. Existe uma diferença de preço entre a que eu realmente necessito e as opcionais. Lembrando que sempre estamos precisando comprar coisas essenciais para o nosso dia-a-dia, desta forma, ninguém compra apenas uma impressora no dia ou mês, ela precisa se alimentar, comprar um tênis, um livro, uma passagem de ônibus etc. Suponhamos que a diferença entre as impressoras seja de 100 reais. No primeiro momento, a diferença é pouca, porém esses 100 reais podem ser utilizados em outras oportunidades, afinal eu só preciso imprimir e nunca necessitei de um fax. Também é comum quando alguém compulsivo entra em uma loja de aparelhos celulares, ela precisa de um celular para falar e que basicamente tire fotos. Ao sair da loja ela está com dois celulares com câmera embutida, acesso à internet, aplicativos e games, mp4 e 30 parcelas no seu cartão de crédito, sendo que ela nem tem conta no facebook e muito menos tem ou busca o hábito de ouvir músicas no celular. Depois de um mês, percebe que fez um mau negócio, vende os celulares por 200 reais mais barato a alguém próximo e novamente se vê precisando de um aparelho e com algumas parcelas a serem pagas.

A pessoa com alto poder aquisitivo tem o luxo de ter as suas necessidades básicas supridas rapidamente, assim ele pode trocar de carro todo mês ou ter uma casa em uma praia diferente a cada ano. Uma pessoa comum tem outras necessidades, que são as comuns. A publicidade é voltada para o público em geral e muitas das vezes nos esquecemos que temos recursos financeiros limitados e que nem sempre precisamos daquilo que nos é oferecido. Ser feliz através do ato de comprar algo é estar suprindo uma necessidade, algo que realmente se precisa. Não adianta você estar precisando de um tênis novo e comprar um tênis muito caro, sendo que no mês que vem terá necessidade de uma nova camisa, se ter um calçado caro, não poderá ter a roupa depois, a sua necessidade não estará sendo preenchida. Focalize o que suprirá suas necessidades e tenha em mente o que irá supri-las, desta forma não estará atendendo a demanda da publicidade, mas sim a sua.

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2 comentários:

  1. amei o post, acho que hoje em dia somos movidos ao consumismo e a maioria das propagandas de vendas de produtos sempre são direcionadas á crianças já que elas tem muita influencia sobre os pais e outros familiares.
    beijos
    http://lolamantovani.blogspot.com.br/

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  2. Muito interessante. A mídia embute muitas coisas em nossa mente com o objetivo de girar o mercado financeiro e obter lucros, produzindo objetos não duráveis e nos fazendo acreditar que seremos mais felizes comprando.
    Beijos, Dany Scaffo.
    http://diariodasunhas1.blogspot.com.br/

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