Os Médicos Cubanos e a Discriminação dos Brasileiros


Após o governo federal anunciar a participação dos médicos cubanos para compor o programa Mais Médicos, a classe médica brasileira repudiou a importação de profissionais. As alegações foram inúmeras, como a baixa qualidade da formação cubana, diferença no idioma e ausência do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida). Até então tudo bem, mas infelizmente não foi apenas isso. Vários atos de discriminação dos cubanos foram realizados pelos médicos brasileiros - lembre-se que no exterior o Brasil é visto como um pais sem preconceito - incluíram o nível econômico de Cuba e o governo socialista implantado por Fidel Castro. Além de serem recebidos por vaias quando desembarcaram, foram chamados de incompetentes, escravos e empregadas domésticas, o que mais impressiona é o fato de que o preconceito e a discriminação serem realizadas por quem possui educação na grande maioria de excelência, para obter a aprovação no vestibular no curso de medicina, e a própria formação acadêmica, ou seja, são indivíduos com alto nível de instrução, e o pior de tudo, estes são médicos.

Vamos fazer uma reflexão do que é um profissional de medicina de acordo com a descrição da Wikipédia: 

"O médico, antigamente também chamado de físico , é o profissional autorizado pelo Estado para exercer a Medicina; se ocupa da saúde humana e/ou animal, prevenindo, diagnosticando, tratando e curando as doenças, o que requer conhecimento detalhado de disciplinas acadêmicas (como anatomia e fisiologia) por detrás das doenças e do tratamento - a ciência da medicina - e também competência na sua prática aplicada - a arte da medicina."

É no mínimo estranho que o formado em um curso cujo objetivo é se ocupar da saúde humana ou animal, onde requer conhecimento detalhado de disciplinas acadêmicas, não saiba que o curso em medicina pode ser de boa qualidade mesmo quando realizado em um país de nível econômico inferior ao dele, desconsiderando a cultura e sua proposta educacional. Nas referências sobre os médicos cubanos, é fácil perceber que grande parte do descontentamento se dá pelo fato de Cuba ser um país socialista, como se a educação e as práticas médicas não possam ser superiores ou iguais às do Brasil. Após a Revolução Cubana, em 1959, grande parte dos médicos cubanos fugiu para Miami, restando apenas três mil médicos e 14 professores na Faculdade de Medicina. Com Ernesto Che Guevara, já formado em medicina, no cargo de dirigente, elaborou um sistema com a finalidade de levar a medicina para as comunidades, com grande enfoque na prevenção.

Por que devemos nos sentir honrados com a presença dos médicos cubanos em nosso país?

  • Cuba é referência médica muito antes que a abertura do curso de medicina nas universidades privadas brasileiras. 
  • Há décadas, envia médicos para países pobres e vítimas de catástrofes.
  • Segundo a socióloga Julie Feinsilver, seiscentos mil casos de cegueiras provocadas por deficiência de vitaminas foram tratados com médicos cubanos.
  • Sua formação se baseia na humanização, cujo desejo da OMS é de que esta prática seja utilizada na medicina de todos os países do mundo.
  • Cuba é o país com maior número de médicos por per capita, 6,7%, isto equivale a três vezes mais que a taxa dos Estados Unidos.
  • Já ajudaram o Brasil em várias epidemias de dengue. Em Cuba, a dengue está erradicada desde 2002.
  • Médicos formados em Cuba foram os mais aprovados no Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida) em 2011 e 2012. Dos 65 que conseguiram revalidar o diploma em 2011, 13 estudaram na Escola Latino-Americana de Cuba (Elam), assim como 15 dos 77 aprovados em 2012. Os dados são do Ministério da Educação (MEC) e foram obtidos via Lei de Acesso à Informação. 
  • Existe em Cuba uma clara aceitação, pela população, de que os recursos obtidos pela exportação de bens e serviços (entre os quais o turismo e os serviços de educação e saúde) sejam revertidos a todos, e não a uma minoria. 
  • Em Cuba não existe o tráfico de drogas, assim não é possível obter nenhuma droga ilegal, ao contrário do que acontece entre os universitários brasileiros, onde as chopadas e o assíduo uso de drogas, infelizmente, também incluem a participação dos que estão se preparando para serem futuros médicos
  • Estão presentes em cerca de 70 países.


Se ao invés de médicos cubanos, estivéssemos recebendo profissionais de medicina dos Estados Unidos com uma formação de qualidade inferior ao de Cuba, será que teríamos essa rejeição? Aposto que muitas pessoas com os melhores planos de saúde iriam ao posto de saúde para serem atendidos pelos americanos.

E você, o que acha da vinda dos médicos cubanos e a triste discriminação dos brasileiros?

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Um comentário:

  1. Eu também não concordo com esta medida do governo de tentar resolver um problema nacional e grave com a importação de médicos sem sabermos a qualidade dos mesmos. Entretanto, eles são pessoas. E não são culpados pela oportunidade recebida. Eles vieram para trabalhar e não para roubar. Esta ato de discriminação deve ser repudiado. E devemos lembrar que nossos médicos passaram por isto em Portugal pouco tempo atrás.

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