O Segredo de Luiza - Parte 3 - Conto


          O Segredo de Luiza - Parte 2

 - Já cheguei na Colômbia, Luiza. Desembarquei há cerca de 40 minutos.

Respirei aliviada após o telefonema de Otávio na tarde do sábado. Não consegui dormir muito bem. Bia e Júlia iam passar o final de semana comigo para estudarmos. Naquele dia fiquei pensando sobre os negócios que ele poderia estar fazendo na Colômbia e como o país deve ser diferente do Brasil.

Os dias foram se passando e não recebi nenhum outro telefonema dele. Nenhum e-mail, nenhum torpedo, absolutamente nada. Depois dois dias, seguiram-se as semanas. Eu comecei a ficar em casa, olhando os e-mails e o celular a cada dez minutos enquanto minhas amigas saiam. Mil coisas passavam pela minha cabeça, inclusive a hipótese dele ter me largado. Meus pais começaram a ficar preocupados comigo, souberam que eu havia gostado de um rapaz, mas assim como eu, desconheciam o que havia acontecido.

Comecei a me sentir usada, uma idiota. Já haviam passado dois meses, em pleno final de inverno. Por eu ficar em casa, minhas notas da faculdade estavam excelentes e tive esperança de ser aprovada na prova da OAB, aplicada na semana anterior.

- Luiza, saia desse quarto! Vou com a Júlia comprar umas liquidações de inverno. O preço está muito bom e depois podemos ir ao cinema assistir um filme legal, deixamos você escolher. Topa?
- Quais filmes estão em exibição?
- Está passando um que está sendo muito bem comentado: O Diabo Veste Prada. E aí, vamos?
- Vamos sim, nos encontramos às 13 horas!

Muitas coisas iam acontecer até o final daquele 23 de setembro de 2006.

Fizemos ótimas compras por um excelente preço e o filme havia sido maravilhoso. Já eram quase 20 horas quando o meu celular toca, era Otávio. Minhas mãos tremeram e comecei a ficar nervosa, sem demorar e pensar muito, meu indicador já havia apertado a tecla de aceitar a ligação.

 - Alô, Luiza?

Com meu coração acelerado, levei alguns segundos para perceber o que estava acontecendo e conseguir falar alguma coisa.

- Oi, Otávio.
- Cheguei hoje. Desculpa não ter te ligado. O clima estava um pouco ruim e eu tive que acabar fazendo mais viagens e não quis te iludir porque não sabia quando ia voltar.
 - Você teve ideia de quanto fiquei preocupada com você?! Você é um cretino! Não podia me enviar ao menos um e-mail? Quem acha que eu sou? Uma piranha que não merece ao menos uma notícia?!
 - Não foi minha intenção. Não deixei de pensar em você um dia sequer. Tiver que ficar 15 dias na Colômbia, depois me enviaram ao Equador, depois para França e por fim tive que ficar quase um mês no México e China. Podemos nos encontrar no shopping para conversarmos?
- Sim, às 20:30 está bom?
- Combinado. Te espero ao frente ao cinema.

Coloquei a primeira roupa decente que vi pela frente, como minha mãe tinha tinha saído com o carro, andei rapidamente em direção ao ponto de ônibus. Ao chegar pude vê-lo, de longe, me esperando. Parecia estar ansioso, olhando em todas as direções para me ver chegar. Me aproximei e fui recebida com um abraço forte e acolhedor, me beijou no rosto. Pegou minhas mãos e me levou para a praça de alimentação. Ficamos procurando um lugar para sentar e assim que vagou alguma mesa sentamos um ao lado do outro. Seus olhos não paravam de fitar os meus, me deixando sem graça boa parte do tempo.

- Luiza, minhas sinceras desculpas por ter demorado tanto. Meu trabalho é imprevisível.
- Você poderia ter me ligado - retruquei
- Fiquei com receio de lhe dar esperanças e te machucar ainda mais. Prometo que ligo da próxima vez.

Ele pegou minha mão e começou a acariciá-la. Soltei um sorriso e de logo em seguida vi seu rosto se aproximando rapidamente e senti seus lábios tocando os meus. Meus olhos se fecharam. Uma mão passou pelos meus cabelos enquanto a outra apoiava firmemente meu rosto. O maravilhoso beijo durou minutos. Por muitas noites fiquei pensando se o beijaria novamente e agora estava ali com ele, meu coração estava feliz!

Paramos e ficamos sem graça diante dos olhares de um casal de idosos que estavam do lado oposto do canto da mesma mesa com seus netos pequenos. Comentei sobre o filme "O Diabo Veste Prada" e nos empolgamos para assistir. Vimos os horários das sessões, a última era às 21:10. Encaramos entrar na grande fila. Neste momento, nem liguei, pois ele estava me abraçando por trás enquanto conversávamos sobre a viagem dele. Pouco me dizia sobre o que fazia, dando mais atenção aos costumes e os pontos turísticos dos países.

- E como foi o trabalho? O que mais te ocupou? - tentando tirar alguma coisa  do que ele de fato fazia.
 - Bom, fiquei mais ocupado estabelecendo contato e prazos entre as fábricas têxteis e os fabricantes das peças. São máquinas pesadas e quando algo dá errado, me chamam para o suporte técnico.

Entramos na sala e assistimos ao filme. Como eu havia ido de ônibus, ele me ofereceu uma carona até em casa. Ao entrarmos no carro, começamos a nos beijar e o clima esquentou. O jeito que ele apertava minha cintura e me trazia para perto dele me deixa absolutamente sem controle dos meus sentidos, estava tudo muito gostoso. Eu cheguei a puxar os cabelos deles em direção a mim e apertar seus braços conforme minha respiração ia tornando-se ofegante. Enquanto Otávio não ligava o carro e os beijos continuavam, ele parou:

- Que ir à minha casa? Podemos ficar mais tempo juntos lá.

Na hora eu não pensei em nada, apenas no que eu poderia dizer à minha mãe. 

- Sim, vamos!

Ligou o seu Land Rover preto e saímos do estacionamento do shopping. Eu sabia o bairro, mas não tinha a localização exata. Depois de cerca de mais ou menos 20 minutos, finalmente chegamos à casa dele. A casa era enorme e sem muros, parecia ser o dobro da minha. Sua fachada tinha cores brancas e azuis e revestida em pedras, dando um estilo rústico. Além de ser diferente era a mais bonita de todas as outras casas da rua.

- Gostou? Eu mesmo que idealizei essa casa. Levou cerca de 3 anos para ficar do meu jeito - Diante da minha surpresa ao ver a fachada, enquanto o portão ia se abrindo sinuosamente para o carro entrar na garagem.
- Você tem um ótimo gosto!

A decoração da casa era um estilo clássico e ao mesmo tempo futurista, pelo menos da minha. Ao chegarmos à sala, sentei ao sofá e ele colocou em algum filme que estava sendo exibido na tv por assinatura. Ele colocou as mãos sobre meus braços e começamos a nos beijar novamente bem suavemente.

- Luiza, está com fome?
- Sim, um pouco - dando um leve sorriso
- Na geladeira tem um pouco de frango frito com arroz, podemos comer acompanhando um vinho. O que você acha?
- Eu acho ótimo. Vou ligar para minha mãe e dizer que vou dormir na casa de alguma amiga enquanto isso.
- Bia, você está em casa? Estou com o Otávio e vou ligar para minha mãe dizendo que vou passar a noite com você e dormir em sua casa, tudo bem?

Liguei para minha mãe e fui em direção à cozinha. Ele já estava esquentando a comida e me servi com a quantidade que costumo comer. O prato dele foi quase o triplo do meu. Jantamos na mesa da cozinha, e lá também tinha uma tv, e das grandes. Enquanto íamos comer eu falava como estava indo os meus estudos e os meus planos para quando eu finalmente me tornar uma grande advogada. Ele olhava profundamente nos meus olhos e me dizia que poderia me ajudar no que fosse preciso e no que estivesse ao seu alcance. A atenção dele me fazia ainda mais feliz e me deixava super à vontade. Ao terminar, me mostrou o banheiro e disse que eu poderia escovar os dentes com a escova dele. O banheiro estava absolutamente lindo e pelo que pude perceber, Otávio era bem caprichoso e fazia muitas coisas, inclusive estava lavando toda  louça enquanto eu estava escovando os dentes. Depois de alguns minutos, ele chegou para escovar também. Enquanto ele ia escovando, eu ia abraçando e apertando o peito e barriga dele, as gargalhadas dele estava muito gostosa. Até que ele me beijou com a boca cheia de pasta e tive que passar a água na boca para tirar. Foi uma cena muito engraçada.

Voltamos para o sofá e outro filme já estava começando. Ficamos sentados bem juntinhos e ele começou a beijar meu pescoço e a puxar levemente meus cabelos. Novamente apertou minha cintura e ficou colado atrás de mim no sofá. Em um momento de grande arrepio, virei para ele e comecei a beijá-lo. Os beijos ficaram mais fortes e demorados. Colocou uma de suas mãos por debaixo da minha blusa e acariciou minha barriga ao mesmo tempo em que a outra pressionava minha cintura. Quando senti aquela mão gostosa não aguentei e virei completamente para ele e alisei o peitoral dele, fazendo leves arranhões. Quando percebi, eu já estava tirando sua camisa e beijando seu pescoço. Também tirou minha blusa e começou a beijar a parte superior dos meus seios, que ainda estavam de sutiã. Eu levava a cabeça dele para eles, de forma a intensificar ainda mais os beijos.

- Me beija toda, quero ser toda sua!

Ele sorriu e tirou meu sutiã e senti um grande arrepio atravessando todo o meu corpo. Fazia tempo que não transava e com o Otávio tinha tudo para ser a melhor de todas. Depois fomos ao quarto dele e continuamos a tirar a roupa um do outro. Foi tão lindo, romântico e ao mesmo tempo tão gostoso a forma como me deitou na cama dele e tirou minha calcinha, me beijando da ponta dos pés até minha cabeça. Foi tudo muito perfeito!

****

Ao acordar ao lado dele e lembrar de quanto foi especial a noite e de tudo que fizemos, me senti uma mulher de verdade. Ele dormia profundamente e eu estava com uma enorme vontade de urinar. Como só estava de calcinha, coloquei minha blusa e fui andando até o banheiro. Ao sair, notei um escritório que dava mais ou menos para frente de onde estava. A porta estava encostada, de forma que dei para ver alguns documentos em cima da mesa. Abri a porta e acendi as luzes. Eram várias identidades, passaportes, carteiras de habilitação e cartões de créditos. Quando me aproximei, vi as fotos de Otávio nas identificações, porém ele estava com nomes diferentes. Além do nome, as datas de nascimento estavam diferentes. Eram de vários países, os que pude ver foram: Colômbia, México, Bolívia, Venezuela, França, Espanha  No mesmo instante, fiquei chocada com aquilo. Ao menos que Otávio fosse um agente secreto ou algo do tipo, isso é coisa de bandido ou de um foragido da lei. Meus músculos se contraíram e logo comecei a associar as viagens, a casa valiosa com o tipo de coisa que ele poderia fazer. Fiquei com medo e minha vontade era sair dali o quanto antes. Voltei apressada para o quarto e comecei a colocar minhas roupas, tomando cuidado para não acordá-lo. Conforme ia remexendo a cama procurando as peças para me vestir, ele começou a se mexer e seus olhos se abriram.

- Luiza, o que foi?
- O que foi, Otávio?
- No que você trabalha, o que você vende?
- Do que está falando?
- Das suas viagens, do tempo que ficou fora, com essa casa cheia de mordomia.
- Um representante comercial não tem tudo isso, Otávio!
- Por que está falando tudo isso?
- Eu vi, Otávio, acabei de ver as suas identidades e passaportes, todos falsos!Seu nome nem deve ser Otávio de verdade! Seu mentiroso! Me fez de babaca!

Ele colocou suas mãos sobre meu rosto. Por um instante eu me arrependi de ter contato tudo que tinha visto. Imaginei que se ele fosse perigoso poderia me matar por ter descoberto algo que não deveria.

- Eu posso explicar tudo. Se você gostar de mim, vai entender. 

Ele se levantou, colocou sua roupa e me levou até a cozinha. Pedia todo instante para eu me acalmar e me abraçava dizendo que não tinha me feito de babaca e que gosta muito de mim. Me sentou na cadeira e foi abrindo a geladeira, tirando leite, manteiga. Em seguida, pegou torradas e pães que estavam no armário e ligou a cafeteira. Fiquei mais tranquila, pois se quisesse me matar, não teria trabalho de me servir um café da manhã antes.

- Anda, me conte tudo, Otávio!

Estranhei a paciência e a tranquilidade dele. Após sentar, pegou um pão, cortou e ao passar manteiga disse que ia me contar tudo e me prometeu manter segredo. Se eu não aceitasse, poderia tranquilamente vender a casa e ir para outro lugar, e nunca mais ia vê-lo.

- Luiza, como você percebeu, eu não sou um Represente Comercial de uma empresa. Eu trabalho para um narcotraficante de drogas e as distribuo para alguns países.

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